tempo

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O ser humano criou a noção de tempo.

E eu achei que sabia o que era isso. Pelo menos tinha noção, digamos assim.

De início, foi bem difícil. No primário, a professora não tinha relógio, veja só! Então me mandava (queridinha da professora…)ir até a sala da diretora ver as horas num enorme relógio que havia na parede.

Eu ia. Tremendo por dentro. Se eu já tinha noções básicas de tempo ( “vem pra dentro, menina, já é hora do almoço” ou “te dou cinco minutos pra arrumar isso daí! ) ainda não sabia ler bem horas. Principalmente com a diretora me olhando. E ela fazia isso (a saudosa dona Jeanette) com laivos de sadismo: ela nunca me dizia a hora, ficava olhando eu olhar pro relógio com um sorrisinho.

Depois aprendi, lógico. E me orgulho de sempre ter usado relógios com números e não digitais. Tá, todos têm números, vocês entenderam…

Tempo de férias passava logo. Tempo de aula de matemática durava o dobro das outras aulas. Sempre foi assim. Tempo passa do jeito que a gente se sente.

O tempo que decorreu da morte do meu pai e do meu irmão demora muito a passar. Parece que foi ontem e não há anos e anos atrás.

O tempo da vida do meu neto passa muito rápido: “nossa, mas ele já está desse tamanho? A semana passada ainda era pequenininho…”.

O tempo atual, desde que começou esta pandemia, tem demorado mais que tudo. Cada dia é uma semana. Cada noite – mal dormida- é um mês.

O tempo que falta pra eu me vacinar, então, chega a durar anos. Por sorte maridão se vacina semana que vem. O que vai durar meses.

Mas o tempo que falta para mudarmos – em plena pandemia e cheio de percalços- tem corrido maratonas.

Tenho pouco tempo e muita coisa pra fazer.

E meus 71 anos vão ter que se virar em séculos, pra dar conta.

E, afinal, tudo isso só pra aliviar, porque dar conta dessa tristeza de pandemia mesmo, vai precisar de muito tempo.

Porque o tempo da dor dura muito a passar.

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