palavras ao vento

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Eu sempre soube que ia morrer. Eu e todo mundo.

A única certeza que temos.

Mas esta pandemia não estava no repertório.

Convivemos todos as horas com as possibilidades de atropelamento, de doenças fatais, de balas perdidas, de peripaques cardíacos mas a possibilidade de pandemias só aparecia em filmes de ficção. Eu não vivi a gripe espanhola e pouco ouvi falar dela.

Vivi a gripe asiática, que matou bastante gente e nos pôs a todos em casa de cama com febre alta, menos minha mãe. Na realidade, hoje imagino que ela também ficou doente, sim, mas fingiu que não pra poder cuidar de todos nós.

Já tive coqueluche em criança mas me safei. Depois de alguns meses e muitas – arrghhh- injeções.

Esta pandemia é assustadora.

Já passei da fase em que queria acordar e tudo isto ser um sonho.

Agora eu queria mesmo acordar em 2022. E tudo isto ter passado.

Havia um conto, que sempre gostei muito, onde o personagem – Rip Van Winkle- dormia durante vinte anos.

Eu só quero dormir por dois.

Mas isso também é sonho.

Logo eu, que atualmente, não consigo mais dormir nem por um bom par de horas…

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