coisas que eu fazia e não faço mais

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Coisas que eu fazia e não faço mais

Eu fazia parada de mão. Ou plantar bananeira. Acho que os dois termos já estão em desuso, mas consiste em ficar de cabeça pra baixo, apoiada só nas mãos. Sem ajuda de parede de apoio. Eu era boa nisso, e por ser boa nisso, meu irmão e meu pai ficavam me estimulando toda hora. Posso dizer que passei boas horas da minha infância de cabeça pra baixo…

Saudades.

Hoje nem pensar. Se abaixar rápido a cabeça e levantar (só uma flexãozinha de cabeça) o dia já fica noite.

Eu conseguia botar o dedão do pé na boca. Não imagino que vantagem isso pudesse me trazer, já que nunca roí unhas, nem do pé nem das mãos. Mas eu fazia isso. E depois conseguia voltar as pernas pro lugar certo. Sem rangidas, sem estiramentos, sem travamentos. Mudaram as pernas ou mudei eu?

Eu andava sobre o muro que separava minha casa da vizinha. Dois metros de altura. Tá, é pouco, mas nunca caí. Quando me mudei pra este apartamento, numa corrida atrás da minha cachorra, caí na calçada e quebrei o nariz! Na calçada!

Enfim, eu poderia dizer que era feliz e não sabia, mas não posso.

Eu era bem infeliz e sabia.

Hoje, em compensação, sou feliz e posso dizer isso.

Mesmo não podendo ficar de cabeça pra baixo nem morder o dedão do pé nem andar em muros, altos ou não.

Mesmo com este governo.

Que nem de cabeça pra baixo ou mordendo o dedão do pé dá pra engolir.

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