invejando varandas

Standard

Da primeira que lembro e me marcou muitíssimo, nem foi aqui. Foi em Porto Alegre.

Num antigo hotel, lindo, onde Mário Quintana morou por muito tempo. Já não existe.

Estou falando de uma varanda do quarto de hotel. Fiquei lá por longo tempo, numa noite turbulenta, fumando e pensando na vida. Eu era adolescente. Costumava pensar bastante na vida, buscando saídas. Ou entradas. 

Amo varandas. Não sei se a cena da varanda do Romeu e Julieta teve algum papel na minha vida. Acho que sim, também. Não a do teatro Shakespeariano mas a paródia, com Grande Otelo e Oscarito. Morri de rir. Ser velho é isso, a gente assistiu ao vivo muita gente que hoje mal se sabe quem foi. Uma lástima. Não ser velho, que isso eu gosto, mas não ter visto Grande Otelo e Oscarito em ação. 

Voltando às varandas. Hoje eu queria muito uma. Não pra tomar sol, que nem suporto muito, mas para por minhas plantas. 

Quando me mudei de casa para apartamento, pedi ao corretor que só me mostrasse apartamentos com varandas, desde que não fossem as tais “gourmet”. Fui acabar comprando justo o que não tinha varanda nenhuma. Era o melhor e mais bonito, mesmo sem varanda. Hoje eu fico aqui, sonhando com as tais varandas. 

Onde eu pusesse uma rede, um monte de samambaias que meio que fecham o lugar, escondendo os prédios e o barulho, um monte de flores e trepadeiras. 

Mas não tenho. 

Então, agora na quarentena mais do que nunca, só me resta olhar pelas janelas e ficar invejando quem tem.

E o que vejo? Bicicletas ergométricas cobertas de teias de aranha, móveis velhos encostados, varais de todo tipo, tranqueiras em geral que não cabem ou não devem ser vistas nos apartamentos. 

Nas varandas. 

Naquele espaço mínimo que ainda guarda semelhança com um jardim. 

Mas mesmo assim, que dá uma inveja enorme, isso dá! 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *