coronariando em casa

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Meu apartamento não chega a 100 ms. É grande, porém, para os padrões de hoje. 

Eu não sou de acumular nada. Entre outras coisas, porque, como mostrei acima, não caberia. 

Roupas não usadas por um ano, no máximo, são doadas. As que deixam de servir também, que eu não sou mulher de ficar me martirizando com aquilo de “um dia vou voltar a usar, ou um dia vai caber de novo”. Isso nunca funciona, nem pra homens nem pra roupas. 

Coisas de cozinha só tenho as que uso diariamente. Meia dúzia de pratos rasos, meia dúzia de fundos. Lembro apenas de uma vez em que vieram sete e não seis pessoas para comer em casa. O sétimo teve que sentar numa mesinha de canto (eu também só tenho seis cadeiras) e comer em prato fundo. 

Sei, no entanto, que esses são pequenos e ridículos problemas de classe média. Que não deveriam importar neste momento, mas acabam incomodando. 

Os pratos, as cadeiras? Não. A falta de coisas inúteis. 

Um amigo fez umas colagens lindas. Aí lembrei que eu também, na adolescência, gostava de fazer colagens. Resolvi tentar. 

Cadê que eu tenho revistas? Desde a época em que o Mino Carta era editor da Veja que eu não assino mais nada. Sim, a Veja já foi razoável. Priscas eras. 

Quando meus filhos eram crianças havia alguma coisa em casa. Gibis, fanzines, por aí. Os dois chegaram aos quarenta e só eu os acho crianças ainda. 

Então, nada de revistas. 

Tenho fotos antigas, poucas mas tenho. Mas não pretendo recortá-las. Embora devesse. Algumas espero que só sejam (re)vistas quando eu já não estiver mais aqui. São humilhantes. 

Tenho livros com imagens. Mas lembro bem do que senti quando descobri que minha filha, bem pequena e com dentes nascendo e coçando, resolveu comer minha edição do Dom Quixote. Eu amo minha filha, mas a relação balançou nesse dia. Eu amo meus filhos mas meus livros são sagrados. 

Então vou procurar coisas. Qualquer coisa. Nas minhas caixas de artesanato guardo sobras de tecidos. Têm sido úteis. Todas nossas máscaras vieram de lá. Guardo coisas de natal. Deve haver algo.

Guardo broches antigos, da época em que a gente fazia campanha de fundos. Já fiz muito bazar, já fiz muito broche, já fiz muita torta de beringela pra vender em eventos de campanhas. Bons e honestos tempos, em que os fundos vinham desse tipo de ações. Guardei alguns broches. 

Vou ver o que posso fazer. 

Em breve, nos melhores posts do ramo.

Vocês não perdem por esperar.

Parece uma ameaça.

E é.

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