as coisas

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Eu sou capaz de aguentar situações difíceis por longo tempo. Sou corintiana. Passei 23 longos anos da minha infância e juventude longe de um campeonato, numa idade em que estar no topo, ou pelo menos entre os primeiros parecia ser fundamental.

Pra mim não era. Eu gostava e gosto do meu time. Campeonatos são só consequências. Benvindos, mas consequências.

Mas anda muito difícil aguentar a atual situação de nosso país. Que já foi pior, eu sei, mas numa época em que pelo menos havia resistência, luta e, portanto, esperança de mudar.

Hoje a luz no fim do túnel parece estar depois da última curva, aquela que a gente não vê. Mas eu ainda acredito nela. E gosto dela. Bom acreditar que ela está lá, ao andar nas trevas.

Dizem que falta um projeto. Pode ser. Nem me parece um projeto tão complexo. Saúde, educação, liberdade. O resto a gente vai dando um jeito.

Pessoas aos montes dormem e vivem nas ruas, debaixo de marquises (que caem matando, de vez em quando), comendo do lixo, na maior cidade do país.

Pessoas têm celular e estão em redes sociais, mal sabendo ler e escrever, o que dirá interpretar.

Pessoas que não pensam como a maioria ao lado são maltratadas, hostilizadas, agredidas.

As pessoas têm coisas. E são estimuladas a ter cada vez mais.

As pessoas vão se tornando, elas mesmas, coisas.

Coisas não têm dó nem piedade. Coisas que estragam podem ser trocadas. Coisas velhas devem ir para o lixo.

Se trocarmos a palavra coisas por pessoas, nenhuma diferença fará.

Lembro de Drumond: “ …mas eu não sou as coisas e me revolto…” e me sinto hoje, talvez pior do quer as coisas.

Eu nem sei como me revoltar.

 

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