auto-ajuda

Standard

Não gosto de livro de auto-ajuda. Até aí, eu e muita gente estamos juntos. 

Um dos motivos é que geralmente trata-se de um monte de clichês, de receitas de bolo, de frases panacéia para tudo, como se a vida fosse fácil de entender. 

No entanto, tentando pensar com isenção, eu mesma tenho um monte de frases que marcaram e marcam minha vida. 

Acho que nenhuma veio de livro, porém. E olhe que eu leio muito, desde sempre. 

Uma grande parte delas veio de minha avó. Talvez por eu ficar muito tempo com ela – que desde que eu nasci já morava conosco- e ela gostar de contar histórias. As histórias delas sempre vinham com moral, no bom sentido. 

Fui gostando das tais frases. Ao ponto de, lá pelos meus dez anos, começar uma coleção de provérbios. Quando cheguei aos mil, parei. Preenchi livros e livros contábeis velhos que meu pai me cedia, para anotar as frases. Depois devo ter jogado fora. Sou colecionista mas não acumuladora. 

Então por que não gosto de livro de auto-ajuda? 

Poderia ser por estar tirando o mercado da minha categoria, a psicologia, mas eu raramente me lembro da “categoria”. Mecanismo de defesa, provavelmente. 

Poderia ser pelo evidente mercantilismo de quem se dedica a tais livros. Mas posso estar sendo preconceituosa. 

No fundo, no fundo, acho que é porque os tais ensinamentos derivam de livros e não de seres humanos. 

O papel aceita tudo, é mais uma frase. Sim, aceita. Já minha avó, a tal das frases e provérbios, tinha no resto da família seu contraditório. 

Ela vinha com um “sê como o sândalo, que perfuma o machado que o fere”e meu pai revidava com um “quem com ferro fere, com ferro será ferido”. 

Minha mãe apregoava que “deve-se dar a outra face”e meu irmão apregoava que a “vingança é um prato que se come frio” e por aí afora. 

Pra cada frase, provérbio ou máxima, numa família que gostava de frases, havia sempre o contraditório. 

Isso nos fazia rir, tornava-se um jogo, no meu caso tornou-se uma coleção. 

E esses malditos livros de auto-ajuda só fazem dar a ilusão a quem os lê que tudo vai melhorar, bastando seguir certos preceitos. E comprar o livro, claro. 

Não, não gosto deles. Gostava era da minha avó futucando a memória pra achar alguma frase e o resto da família fazendo a mesma coisa pra achar outra que dissesse o contrário. 

Aprendi muito com isso. 

Aprendi o riso em família, as brincadeiras com palavras, o gosto por histórias. 

E também que ajuda quem não atrapalha…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *