curso de ética

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Matriculei-me num curso de ética.

Eu achava que era uma pessoa ética. Tinha – e tenho – lá meus valores, certas regras que sempre me fizeram viver em sociedade de maneira que – pelo menos eu achava- era civilizada, racional e ética.

Hoje, aos 69 anos, já não sei.

Leio por aí sobre a ética do PCC, a ética dos ladrões de colarinho branco, a ética dos partidos e até a ética do narcotráfico. Ora, se todos esses agrupamentos, vamos chamar assim, possuem ética, então ela é só um instrumento de convívio em grupo, seja ele qual grupo for. Algo assim como um uniforme que se põe, um crachá pendurado no pescoço, um código de barras a ser lido por quem quiser.

Eu achava que era mais que isso. Achava que moral, que ética, que hombridade, essas coisas, indicavam sempre um caminho de melhora para a humanidade, um caminho de crescimento, um caminho civilizatório.

Parece que não.

Então vamos lá, vamos tentar reciclar ideias. Talvez o mundo tenha mudado e eu percebo pouco deste atual. Enfim… tenho tentado bastante coisa para entender.

Porque entender o mundo que me cerca é importante. Sou bastante emocional mas prezo a ação conduzida pela razão. Pra isso estudei, pra isso sempre leio quanto posso, pra isso procuro pensar antes de falar.

Mas ultimamente anda puxado. Há uns tempos atrás eu podia pensar – e escrever- em até 180 caracteres. Depois nem isso. Eu sou lerda. Com a idade venho ficando mais lerda ainda. Meu queixo tem caído um bocado com as notícias que leio.

Então, voltar pra escola pra estudar chega a ser, também, uma questão odontológica. E ética, segundo meu síndico, pode ser também não entrar com guarda-chuva molhado no elevador.

Tá difícil.

Semana que vem começam as aulas.

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