porque sim, por que não

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Aprendi muito cedo que “porque sim” não é resposta. Ensinei isso para meus filhos também.

O “porque sim” como resposta impossibilita o diálogo. Não é um argumento porque não traz razão (de racionalidade) alguma para continuar a conversação, caso haja alguma discordância. E mesmo não havendo, o porque sim acaba com qualquer papo. É antidemocrático, antissocial e sobretudo, muito chato.

Já o “por quer não” que só fui aprender muito mais tarde e ousar usar mais tarde ainda, é maravilhoso.

Ele levanta dúvidas, curiosidades, demandas do espírito e do coração, se é que coração tem demandas…O “por que não” me fez aprender a andar de bicicleta com mais de 60 anos. Me fez viajar por lugares incomuns para mim (como os bairros de periferia longínqua de sampa, onde aprendi muito), me fez aprender certas coisas que não eram usuais por alguma convenção social qualquer.

O “por que não” me fez calar certas pessoas cheias de “razões”, assim mesmo, entre aspas, pois, ao serem questionadas “por que não” não souberam dizer nada mais além de “porque sim”…

O “por que não” me mostrou a relatividade de nossas idéias e a instabilidade de nossas certezas.

Já o “porque sim” me mandava  tomar óleo de fígado de bacalhau, ir à escola em dias de chuva intensa, chamar os mais velhos de senhor e senhora ( e não, não foram meus pais que me ensinaram isso, eles nunca ligaram. Foram os professores). E por aí afora.

O “porque sim” manteve todas as tradições babacas que o “por que não”me ensinou a questionar e jogar fora. As que pude, que tradição babaca gruda que nem craca na vida da gente.

O “por que não” me mostra, todos os dias, que apesar de tudo, esperança e luta sempre vão estar presentes. Que a luz no fim do túnel só se apagará com a morte.

Já o “porque sim” levanta slogans e clichês. É inimigo do novo. É parado no tempo. É a morte em vida.

Gosto de escrever. Põe minhas idéias em dia, rearruma pensamentos. Mesmo sendo na maioria das vezes só pra mim mesma. Compartilho porque descobri que não sou a única no mundo. A gente é, cada um, muito diferente. Mas é também, paradoxalmente, muito semelhante.

Então, continuo este blog há mais de dez anos.

Afinal, sendo coerente com o que aprendi, por que não??

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