votos natalinos

Standard

 

natal e tango

Estou aqui, pensando com meus botões, cordões e velcros, sobre esta véspera da véspera de natal. Enfim, este dia em que pululam os votos melhores de gentes em geral para amigos e conhecidos em geral. Os votos também são genéricos, mas costumam ser os melhores possíveis. Embora, este ano, com esse povinho que adora odiar, sei não…

Bom, eu não adoro odiar. Embora bastante rancorosa e de memória boa para desafetos, não gosto de ficar odiando assim à toa, não. Acho que é como palavrão: se a gente diz toda hora, quando der uma bela topada no dedão do pé naquela quina, não sobra ênfase suficiente. Tudo já foi dito. Acho que ódio não é por si só uma coisa ruim. Amar indiscriminadamente enche o saco. Mas é bom guardar a raiva e o ódio praquilo que realmente interessa. Como diria um inglês, o resto é, na maioria das vezes, apenas disgusting.

Então, continuo aqui pensando com meus velcros no que desejar para meus amigos. Que são quem interessa, afinal. Inimigos, se existirem, que se virem sozinhos, sem meus votos.

Podia desejar o óbvio: saúde. Saúde é ótimo, mas será que é tudo? Eu parei de fumar há anos, mas tenho amigos que amam fumar. São felizes dessa forma. Vou desejar o que? Que parem e tenham saúde ou que continuem e sejam felizes? Sei lá. Melhor não mexer com isso.

Dinheiro? Também é muito bom. Eu gosto e não conheço quem não goste e conheço bem poucos que não precisem. Mas ouço falar de gente que tem muito (só ouço falar, meu círculo de amizades não é de classe A, por que será?) e nem por isso está bem, com saúde ou feliz. Mas dinheiro deixo em suspenso. Neste país de desigualdades extremas nunca é demais. Nem para o pobre, a maioria, que não tem e, parece, nem para o rico, que não se cansa de querer mais.

Felicidade. Isso é relativo. Difícil mexer com relatividade. Como desejar o que varia tanto? Felicidade pra mim é viajar. Pra outros é ficar. Pra mim é ler. Pra outros é ver. A coisa tem muitos aspectos.

Então, acho que é isso. Saibam todos meus amigos que eu quero todo mundo bem. Com aquilo que os faça se sentir bem. Se for felicidade, saúde, dinheiro, ou qualquer outra coisa que desejem, amanheceres, anoiteceres, luares e praias, melodias ou silêncios, que vocês achem o que procuram.

A vida segue. Cheia de percalços, cheia de coisos e coisas, tempos sombrios vindo, é bom se preparar. Mas no que depender de mim e dos meus desejos, eu e meus velcros desejamos que todos resistamos.

Um ano de resistência e menos ódio.

O resto a gente dá um jeito.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *