debalde e de baldes

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Certas coisas caem em desuso, às vezes em muito pouco tempo. Não, não estou falando de ética nem de política.

Estou falando de baldes.

Eu tenho um hoje. Quando morava em casa tinha vários. Um pra lavar o quintal, outro pra deixar roupa de molho, outro pra servir de porta-objetos em dia de faxina.

Hoje tenho um. O apartamento não comporta muitos mais nem eu tenho que lavar muita coisa. O único que me resta serve pra economizar água. Como o aquecedor faz com que o chuveiro demore a esquentar, eu, enquanto isso, aparo a água no balde e depois reutilizo. Eu aparo pouca água e o maridão friorento apara um montão. O critério nosso de água quente varia muito.

Minha mãe tinha um monte deles. Nós bebíamos água de poço, no Brooklin, na década de 50. Quando a bomba não funcionava, toca puxar com balde.

A molecada vizinha tinha alguns que utilizavam pra pegar girinos nos terrenos alagados da região.

Minha mãe botava alguns na saída da calha quando chovia forte. Ela não sabia o nome mas já era uma ativista da reutilização e do consumo sustentável.

Meu pai tinha um pequeno que a gente usava pra encher de minhoca quando ia pescar.

Minha avó usava um menor ainda pra guardar as linhas de crochê que usava e levava esse baldinho pra lá e pra cá. Bem devagarinho, que ela nunca conseguia andar rápido.

Balde serve pra tomar banho também. Na praia tirávamos água do poço em balde e jogávamos no corpo, no quintal mesmo, pra tirar a areia. No verão era o melhor lugar pra tomar banho. No inverno era quando se revelava o lado B dos mais sádicos, que se propunham jogar o balde de água gelada em quem quisesse.

Balde está saindo de moda.

Ética na política também. E solidariedade e discernimento.

Balde está saindo de moda por conta das máquinas de lavar e secar, tanto roupa como pisos. Máquinas.

Não é muito diferente na política. Máquinas influenciam e decidem.

Que saudade dos baldes!

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