eu e meus botões

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A água da represa é muito suja. Marrom, cheia de galhinhos e outras coisas não identificáveis. E, uma vez mergulhando, de olhos abertos, leva um montão de tempo pra emergir. Vendo todo esse amarelo sujo cheio de galhinhos no caminho de volta.

Apesar disso, eu gostava.

Porque lá, nada me prendia ao chão. Por incrível que pareça, nadar é quase como voar. Nada te liga ao chão.

Mas eu tenho medo. De voar e de nadar. De voar, pela falta que o chão me faz. De nadar pelo cansaço que me impede de continuar.

Então, o jeito é nadar em águas rasas.

Mas voar?

Se fossem minhas as asas, algum controle poderia haver.

Mas não são. E quem controla essas asas é toda uma tecnologia que eu não domino, é um piloto e copiloto que eu não conheço, é um clima sobre o qual eu pouco sei.

A questão então é: falta de controle. Falta de domínio sobre a situação.

Estou só. Na represa e no ar. Embora rodeada de um monte de gente, mais num lugar do que noutro, estou só.

Na vida, porém, não estou só. Mesmo adorando estar só, raramente estou só.

E isso é ótimo. Porque existem outros seres descontrolados que pensam e vivem situações muito semelhantes. Se eu errar numa decisão, pode ser que eles não errem. Muitas cabeças pensando, aquela coisa toda…

Existe sempre uma chance.

A não ser, é claro, que você opte por saídas autoritárias, aquelas que creem controlar tudo e não controlam nada.

Aí, é fundo de represa. É lama, é amarelão, é água que não acaba mais e pode ser que você não emerja mais.

Paradoxos da vida. Ter controle não é controlar. Ter força não é atacar. Viver não é matar.

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