impressões de viagem – 3

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Acabou esta viagem. Espero que não seja a última. Quero voltar pra França sempre – Paris nem tanto – quero voltar pra Alemanha talvez. Mas viagem pra mim é qualquer lugar que me tire da rotina, que me traga coisas novas, cheiros novos, verdes novos, cantos e becos não percorridos.

Pode ser em Paris mas também pode ser na Freguesia do Ó. Pode ser em Embu ou em Amsterdã.

Pode ser, como já fizemos certa vez, tomar um trem e ir até o Grajaú, só pra ver como é que é. Ou até o ponto final do Vila Iório, ônibus que tomo com frequência mas não tinha idéia onde terminava a linha.

Viajar é o novo, esse novo que me assusta tanto, que me dá dor de barriga de medo, que me obriga muitas vezes a voar por horas e horas, pedindo a todos os santos um pouco de apoio – literalmente . Eu que sou atéia.

Ou o novo que me faz evitar, como hoje, domingo, a passagem subterrânea pra se alcançar o arco do Triunfo. Passagem a pé que tem só a largura da rua, mas que tinha tanta gente que eu voltei correndo, apavorada. Não sou antissocial, pelo contrário, gosto muito de gente. Mas a uma certa distância e em pequena quantidade. Dois ou três de cada vez já está bom.

Viajar é terminar uma e já dormir pensando na próxima.

Tá legal, terei amanhã um monte de horas de voo de novo, mas horas de voo dão milhagem e milhagem dá o que? Mais viagens. É a teoria do copo meio cheio ou meio vazio que funciona. Ou, dito de outra maneira, Polyana rides again!

Praga e Paris, nesta última parte da viagem foram muito boas. Praga é lindíssima em seu aspecto sério e digno. Ampla. O que mata, pelo menos pra mim, é não haver tradução para alguma língua minimamente conhecida. Um inglês, um espanhol, um francês básico. Eu não conseguia nem mesmo pronunciar os nomes, que dirá entende-los!

Paris é Paris. Não acho que seja uma  festa. Pelo menos não mais. Paris está muito cheia, muito subdividida. A cada pedaço um gueto de imigrantes deste ou daquele lugar. Além do gueto da pobreza, o gueto da língua. O francês falado numa esquina pode não ter nada a ver com o francês falado noutra. É divertido ver as francesas padrão esquálidas ao lado de negras bundudas e alegres. Homens franceses pequenos e discretos ao lado de negros altos, cheios de ginga, de olhar penetrante. Há também os muçulmanos e suas roupas escandalosamente quentes e escuras e os indianos de variados tons verde-acinzentados, com olhos febris de tanto brilho.

Não consigo administrar Paris em seu tamanho e diversidade. Talvez por isso sempre prefira as cidades menores, mais aconchegantes do interior. E, no quesito comida, a coisa piorou muito. Não gostei nem um pouco de ver parisienses comendo hambúrguer e batata frita com Coca. Tá certo que comem sanduíche no prato, de garfo e faca. Mas muito do charme e da boa comida se perdeu.

Enfim…mais uma viagem termina e foi boa, muito boa.

Estou pensando no leste europeu ou no Canadá com escala em Cuba pra próxima…

2 thoughts on “impressões de viagem – 3

  1. Maray, deixa eu discordar de você quanto a Paris.

    Paris não é grande. Se você quiser, ela pode ser várias cidades pequenas. Hoje em dia o que mais gosto em Paris são áreas como o Montmartre e Belleville, por causa dos imigrantes, porque eu acho que é em áreas como essas que a vida da cidade continua, evolui. Resumindo, eu gosto dos guetos. Dos africanos em Montmartre e dos orientais em Belleville. (E tem uma coisa: as muçulmanas de Paris, que vêm do norte da África, são bem mais bonitas que as de Londres, que vêm da Índia e Paquistão. Elas têm bons motivos pra usar hijabs e nicabs.)

    E definitivamente não me importam os franceses comendo sanduíches. Na verdade sempre comeram: há décadas vejo os McDonald’s lotados lá, e há uns 10, 15 anos vejo o crescimento de uma rede local, a Quik. O importante, no entanto, é que tem um bocado de lugares em que você pode comer decentemente por um preço baixo. Aliás, considerando o monte de arapucas pra turistas, às vezes é mais garantido comer num bicho desses, mesmo.

    Me impressiona mais ver uma Starbucks em cada canto, com o seu café horroroso. Mas gosto de creditar isso a turistas e sua necessidade de descansar e usar o banheiro em algum momento.

  2. maray

    as cidades são o que os olhos vêem, acho. Do mesmo jeito que vc parece gostar das muçulmanas do norte da áfrica, eu apreciei muito os negros de Paris, venham de onde vierem. São altos, magros e bonitos. Na Itália eles também estavam presentes, vendendo bolsas em Milão. O que me assusta muito é muita gente reunida. Nunca fui pra Nova York nem Miami, mas sou fissurada em São Francisco e New Orleans. Gosto de cidades menores. Por volta de 100.000 habitantes já está na medida. Menos que isso, é maravilhoso. Quanto a banheiros, felizmente não tive que recorrer a nenhum Starbucks, que é horroroso mesmo. Eu sou bastante mijona mas Paris tem uns banheiros públicos grátis muito bons e limpos. Vc tem que esperar ele ser limpo. Já vi turista apressado entrar quando outro saiu sem esperar e sair todo molhado…devia ser brasileiro, talvez, daqueles apressadinhos!
    Mas tenho certeza que concordamos em que viajar é tudo de bom. Embora, do jeito que este nosso Brasil ande, viajar pareça – e em alguns casos é – apenas uma fuga.
    Um abraço grande de quem nunca te viu mas te gosta bastante.

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