marketing de antanho

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Vida de aluna de grupo escolar, há sessenta anos atrás, era muito, mas muito diferente do que é hoje.

Pra começar, o grupo era de madeira sobre pilastras. Até aí, tudo bem. Não acho que a forma influencie o conteúdo nesse caso. Havia uma ou outra goteira quando chovia mas a gente punha uns baldes e tudo certo. A gente também usava galochas. Uma coisa que poucos ouviram falar ou mesmo viram. Há uns anos atrás, tentaram resgatar galochas como ítem fashion, de plástico estampado e tal. Acho que não pegou. No Brasil tropical chove bastante, mas é também muito quente. Enfim, era aquilo que alguns de vocês conhecem mas sem charme, sem estampa e pesado. Fazia bolhas.

Era a única escola do bairro. Ricos e pobres estudavam lá. A filha da diretora, que a gente considerava rica e que morava do lado de lá da av. santo amaro, no campo belo, e a filha da faxineira, que morava do lado de cá do rio pinheiros, no que hoje é a Marginal. E sabe que dava certo? (modo ironia, nos tempos de hoje precisa explicar.)

E havia, como distração, a visita dos representantes da Kolynos. Eles sempre foram, todo ano, nos quatro que estudei lá.

Era assim: a professora parava as aulas, todos os alunos iam para a sala da igreja, perto da escola, em correria pela rua de barro e mato, e os representantes, com aventais brancos, passavam um filminho. Foi a primeira vez que eu vi um filme. Só com mais de oito anos fui ao cinema. Televisão não conta, porque nossa Stromberg Carlson tinha uma imagem horrorosa.

Era uma animação sobre cáries. Por isso, por acharem “didático” é que a escola deixava passar. E, não me surpreenderia nem um pouquinho se também houvesse algum agradinho” para os diretores ou até o governo estadual. Afinal, a Kolynos não era a única no mercado. Minha família e eu, até hoje, (tenho uma fidelidade canina a pasta dental) só usamos Colgate.

Eles iam embora, não sem antes darem a cada criança uma escovinha e uma pasta em miniatura. Muitas amiguinhas, pra meu espanto, comiam a pasta. Eu gosto muito de pasta dental mas não como. Só andei comendo sabão de côco por gostar do cheiro, mas isso é outra história.

Outra super diversão eram as aulas de catecismo. Eu adorava! Costumava faltar na maioria e ia pegar amora no mato. Ou brincar de pique-esconde. Ou de Robinson Crusoé.

Resumo da ópera: nunca usei Kolynos, nunca comi nenhuma pasta dental e adoro trilhas e aventuras.

E sou atéia, claro.

 

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