impressões de viagem- Sul da Itália

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Voltando do sul da Itália, certas coisas me chamaram atenção. Que italiano fala alto, tudo bem. Tanto no norte como no sul. Mas desta vez vou falar do sul.

De Roma pra baixo, chegando à Sicília, o idioma vai complicando. Sabe o que me lembrou? Aquele arranjo de Jorge Bem (sim, eu sou da época em que era Bem e não Benjor)para Tereza, quando ele canta comendo pedaços inteiros de palavras e nem por isso fica menos inteligível.

Eu tenho uma ne chama Tere…por aí. Italiano do sul come pedaços inteiros também. Se a gente não entende, eles repetem devagar.

Italianos estacionam em absolutamente qualquer lugar. Não sei se as leis de trânsito deles são flexíveis ou se como não tem jeito, eles fazem qualquer coisa. Estacionam em faixa de pedestres, em pontes, em esquinas. De frente, de preferência. Nunca vi nenhum fazendo baliza começando por trás, como nós. Entram de frente, daí vão ajeitando “de ouvido”. Uma batidinha no de trás, uma batidinha no da frente…

Mais de 90% dos carros que vi estão batidos e riscados nas laterais. Deve ser muito difícil fazer seguro lá.

Não obstante, não buzinam, não xingam, não botam a mãe de ninguém na conversa. Esperam com paciência você atravessar. Na Sicília vimos gente atravessando fora de qualquer faixa, sem nem olhar. E os carros paravam. Não consegui chegar a tanto. Brasileiro é macaco escaldado e atropelado.

Vi muitos casais namorando. Beijando e abraçando. E…dando tabefes!! Não o homem na mulher, mas a mulher no homem. Vi adolescentes amigas também aos tabefes entre si, e até beliscões nos seios! Coisa mais estranha…

Vi muito mais homem beijando homem- dois beijos-  e andando de braços dados na rua do que homem beijando sua mulher ou andando de braços com ela. Mas tudo isso pode ter sido só uma impressão. Não contabilizei.E estes casais de homens abraçados não eram gays. Os gays andavam de mãos dadas mesmo.

As italianas do sul são bem baixinhas. Como minha avó, a média de altura deve ser 1,50m, por aí. Mas elas usam saltos altíssimos! Aqueles saltos que a gente só usa em milonga de gala, elas usam nas ruas de paralelepípedos. Ou botas com tachinhas. Ou saias com tachinhas. Ou bolsas com tachinhas. Ou pulseiras com tachinhas. Não dá pra encostar em italianas do sul. Elas espetam.

De tênis, jeans sem rasgos e camisetas, só nós mesmo. Deve ser por isso que sempre achavam que a gente era americano. Acho que é isso mesmo. Os americanos que encontramos estavam de bermudas e tênis, o que é mais adequado pro calor que fazia. As italianas estavam de sapatos altos, blusas de lã, cachecóis, aquele monte de tachinhas, calças rasgadas e, como disse meu marido, todas cabeludas.

Ninguém de cabelo curto. E muuuito cabelo. Em comprimento, em largura, em volume. Castanhos ou pretos, soltos, pelo pra todo lado. Quase senti falta das nossas oxigenadas e trabalhadas na chapinha…

Italiano do sul para 4 horas para almoço! E fecha tudo! Chegamos até a ver restaurante fechado para o almoço! Eles começam às 8, param das 12 às 16 e vão até às 20hs. Voltam pra casa para comer. Existe comida pronta nos supermercados, mas não é industrializada. Você compra e esquenta em casa, ou acaba de fritar. Não encontrei, em todos apartamentos que ficamos, nenhum micro-ondas. Só forninho.

Não vi quase obesos e acho que os que vi nem eram italianos.

Em compensação, quase ficamos nós mesmos obesos, com a comida gostosa. Muita pasta, muito pão, muito vinho, muita berinjela e abobrinha grelhada, carne de cavalo em algumas regiões.

Viajar é maravilhoso. Nem tudo porém são flores. Há um monte de africanos e outros estrangeiros vindos de Bangladesh, trabalhando em condições precárias ou vendendo bugigangas nas calçadas. Em Roma os africanos descobriram uma forma criativa de pedir sem necessariamente esmolar. Eles arranjam uma vassoura e varrem as calçadas. Aí botam um pires no chão e as pessoas põe moedas. Em outros locais eles já pediam mesmo, como na Sicília, onde sempre havia um africano na porta dos supermercados, pedindo as moedinhas pequenas.

A Itália é linda. Acho que vive demais do passado de glórias e que deveria cuidar mais de seu patrimônio histórico, até por questões de turismo. A sinalização nas estações deixa muito a desejar, é confusa, e a burocracia é enorme. Ao contrário da França, na Itália do sul tem-se a impressão de um caos simpático, mas não deixa de ser caos. O povo porém, ajuda na simpatia.

Enfim, a impressão geral é: barulhentos e amigáveis. Sem glamour mas também sem frescura. Um pouco rústicos, como seus queijos e vinhos.

Vale a pena conhecer o sul.

 

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