cidade

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Dois braços, duas pernas, um nariz, pulmões e rins não fazem um ser humano. Pode somar todos os pedacinhos que temos que ainda assim não teremos um ser humano.

Por que? Porque o ser humano é muito mais do que a simples soma de seus pedaços. Conforme o estado desses pedaços, conforme o alimento que nutre esses pedaços, conforme o ar que respiram estes pedaços, conforme a personalidade que habita o ser que detém esses pedaços, enfim, conforme o que somos e tudo que nos cerca, podemos então ser chamados de seres humanos.

Uma cidade não é muito diferente. Diz-se que uma cidade está doente se o ar que as pessoas respiram nela está contaminado. Diz-se que uma cidade está mal se as pessoas que nela habitam não têm qualidade de vida decente. Diz-se que uma cidade não é hospitaleira se as pessoas que chegam nela não encontram abrigo, emprego, condições de viver com dignidade.

Minha cidade pinta as unhas. Minha cidade canta alto. Mas não consegue mais esconder seus tumores e febres, cada vez mais constantes, suas perebas cada vez mais recorrentes.

Quando você vai ao médico, ela não pergunta o que está bem. Pergunta o que vai mal. Porque é isso que precisa ser cuidado.

Se eu estou com micose nas unhas, não quero manicure que as pinte nem verdugo que decepe meus dedos.

Por que um prefeito teria que ser diferente?

Tenho medo das respostas.

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