sabia que você pode morrer cedo?

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Abro o mail e é essa a pergunta intempestiva que vem na caixa de spam. Sim, porque os intempestivos já vão direto pro spam, que é onde devem ficar, bando de mal-educados.

Mas voltando ao assunto,  como assim morrer cedo? Claro que eu sei que posso morrer. Não devia, mas posso. A qualquer momento. Engasgada com um caroço de azeitona ou atravessando a rua.

Isto posto, por que a pergunta? Se será cedo ou tarde depende muito de quem pergunta e de quem responde. E, principalmente, de quem me conhece ou não.

Eu já quis morrer. Na infância, em crise com os pais, mais especificamente com a mãe. Na vida adulta em momentos de depressão que quando vem funda não dá tempo de pensar em qualquer outra saída.

Mas foram momentos. Porque o instinto de sobrevivência em mim é forte pra cachorro. Aqueles vira-latas que ficam sem comer, apanham nas ruas mas resistem. Pelo menos é o que quero imaginar.

Então, pra mim, morrer sempre será cedo. Cedo pra fazer a montanha de coisas que quero e que vou ticando, com prazer. Se a lista diminui muito, eu vou pondo outros itens, qual sherazade fajuta inventando histórias pro sultão despótico.

Algumas pessoas talvez tenham querido que eu tivesse morrido bem mais cedo. Espero que não sejam muitas, mas já tive alunos que reclamaram de notas, colegas de trabalho que possivelmente tenham desejado isso em algum momento. Nunca tive inimigos declarados, mas no quesito ódio, a gente sempre tem surpresas.

Outras devem querer que eu viva bastante, aquelas que me amam. Também não são tantas assim, mas que as há, há.

Eu, pessoalmente, só me preocupo com isso em alguns momentos. Em aviões turbulentos, em gripes doloridas, em esperas angustiantes de resultados de exames médicos, enfim, aqueles momentos em que uma pessoa catastrofista como eu imagina ser chegada a hora final.

Mas em nenhum desses momentos, podem ter a certeza, me veio à cabeça pensar em um seguro de vida. Só valeria se um seguro de vida me garantisse, 100 % , a vida. Nem precisava ser eterna, só comprida o suficiente. E cumprida a contento.

Como nenhum garante isso, você, corretor ou corretora que me pergunta por e-mail, desavergonhadamente, se eu sei que posso morrer cedo, vá se catar!

Eu sei. E não tô nem aí.

 

 

 

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