corrupçãozinha

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Uma tosse que não parava. Nem podia ir pra aula, que ficava chateada de chamar a atenção dos outros e de fazer barulho. Tosse é fogo.

Solução: farmacêutico vir em casa e dar injeção não sei do quê. Eu só sabia mesmo que era injeção.

Eu sabia que era ele. Eu conhecia o farmacêutico do bairro. Eu sabia o que ele vinha fazer. Eu morava em casa térrea que não tinha campainha e era eu quem gostava de atender quem batia palmas no portão baixinho.

Me tranquei no quarto. Fechada a chave eu sabia que não tinha como entrar, só arrombando e minha mãe era muito ciosa da casa dela pra permitir isso.

A princípio só o farmacêutico e minha mãe do lado de fora. Batendo na porta. Depois juntaram-se a eles meu irmão do meio e minha avó. A coisa estava virando multidão, ali no corredor.

Até que o farmacêutico, conhecedor das manhas infantis e, pelo que hoje sei, das manhas infantis femininas em especial, me prometeu vários vidrinhos daqueles de injeção, pequenininhos, bons pra brincar, e a própria ampola de injeção, que na época não era descartável.

Todo homem tem seu preço, não é o que dizem os mais cínicos?

Toda menininha também.

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