olímpiada e sorte

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Eu entendo mais ou menos como devia ser a vida de nossos ancestrais. Aqueles bem ancestrais mesmo, de caçar com pedras e comer cru, na falta do conhecimento do fogo.

Devia ser bem duro. Sobreviviam os melhores. Os mais fortes. Os mais rápidos. Os mais sortudos em acharem boas pedras e sábios pra saberem o que fazer com elas na hora do aperto.

Enfim, os primeiros lugares.

O mundo mudou. Em algumas coisas bem pouco. Mas de maneira geral, mudou.

Hoje, eu que só sei fazer fogo virando o botão do fogão, que corro muito pouco e mesmo assim só na esteira, que não como cru carne nenhuma e não me venham com o papo de que sushi, sashimi e o escambau são deliciosos, enfim, euzinha que não sou primeiro lugar em nada, sobrevivo bem e, ouso dizer, sou bastante feliz.

Eu não preciso saber essas coisas, entendem? Não preciso ser a melhor em nada. Basta  ser. Ser da melhor forma – aí sim – que eu conseguir ser. E, na  minha concepção, ser de uma forma que não atrapalhe a vida de ninguém. Só isso já basta pra me fazer bastante feliz.

Então pra mim fica bastante complicado entender olímpiada. Apesar de adorar assistir.

Fico confrangida com as pessoas que se machucam, que saem chorando, que fazem cara de dor. Fico estarrecida com a plateia que vaia gente fazendo coisas que ninguém ali da plateia consegue fazer nem em sonhos. Como assim?

Por que cargas d’água ser o primeiro?

Será mesmo que o homem precisa estar sempre competindo pra se sentir estimulado? Será isso uma característica atávica, como fazer a corte de um certo jeito, como comer carne assada no fogo (aquele churrasco no qual eu não vejo a menor graça),  e outras coisas que a gente se percebe fazendo desde tempos imemoriais?

Sei não. Já é tão, mas tão bonito as coisas que a gente vê esses atletas fazendo, que a medalha não vem ao caso. A gente esquece no mês seguinte. Mas o espetáculo fica, qual um filme que a gente nunca esquece.

Sei não, ainda bem que eu não preciso competir com nada nem ninguém pra me sentir estimulada.

Embora eu tenha metas. De ser boa em algumas coisas.

Acho que é isso. Ser boa. Não ser a melhor.

Mais ou menos como achar uma pedrinha enquanto bate os pés num regato e atirar em seguida, pra ver pipocar na água e acertar num peixe legal. Daí, enquanto toma sol, o sol bater na lente do óculos ( uma vantagem dos míopes) e atear fogo num mato seco perto do peixe e virar um bom peixe assado. E por sorte isso tudo estar ao lado de umas frutinhas que podem perfeitamente servir de sobremesa…

Bom, é isso. Não quero ser a melhor.

Quero mais é ser sortuda.

Boa sorte pra todos!

 

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