só sei que pouco sei. E mesmo assim estou em dúvida.

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Entrando no prédio junto com uma senhora. Subimos juntas no elevador também. Faxineira do oitavo.

Dos dois elevadores, só um em uso, por modernização do sistema.

Moro ali há quase dois anos. É a primeira vez que algum elevador para. Pra modernização. Discutida e aprovada em reunião de condomínio.

E não é que a mulher me sai com essa: “esse elevador vive quebrado!”.

Vejamos. Ela não mora ali. Vem quando muito uma vez por semana. Eu moro. Frequento elevador pelo menos seis vezes ao dia, subindo e descendo. Em dois anos ele nunca quebrou. Nem agora, pois, como os cartazes anunciam pra quem quiser ler, dentro e fora da cabine, ele está em reforma, o que durará só mais uma semana.

Não entendo essa coisa de “sempre”, de “vive assim”, de “toda vez é isso”, enfim, essas assertivas tão certas.

Por coincidência, hoje mesmo leio num site de um serviço de pesquisas, dados sobre pesquisa feita com vários países, onde são discutidas afirmações sobre o próprio país. Tipo: qual a porcentagem de imigrantes no seu país, ou então, qual a taxa de obesos em seu país. E um monte de perguntas desse tipo. Do tipo que nós todos estamos “carecas” de saber a resposta.

Mas não sabemos. Erramos feio. Aliás, segundo esse instituto de pesquisa, o brasileiro é um dos povos que menos sabe de si.

Descontos a parte, uma vez que nem em pesquisa dá pra ter tantas certezas, mas eu mesma me faço as perguntas e vejo que erro feio também. Por ignorância, por preconceito, por puro achismo em ação, por repetir sem pensar coisas que dou como certas.

A gente não gosta de não saber as coisas. Vide comentaristas de futebol. Vide comentaristas políticos. Vide comentaristas da vida alheia. As pessoas precisam saber. Ter certezas. Ter confianças.

Um jeito de tentar eliminar a angústia da incerteza? Pode ser.

Um jeito de mostrar-se informado e, consequentemente, descolado em seu ambiente de trabalho, junto a seus amigos? Pode ser.

Um jeito de evitar pensar? Pode ser também, afinal pensar dá trabalho.

Fico aqui no meu canto desejando ardentemente que as pessoas saibam menos. E pensem mais.

Dói, dá trabalho, causa dores variadas, de cabeça, de estômago, até intestinais, sei por experiência. Mas evita posar de babaca.

Prefiro ser babaca em dúvida do que babaca certa das coisas.

E isso eu tenho certeza.

Tenho?

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