hoje é quinta feira

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Hoje é quinta.

Quinta Feira e nunca foi tão feira quanto hoje, porque é o dia da MINHA feira.

Eu só fazia feiras de criança, acompanhando meu pai. Ele tinha toda uma técnica, adquirida em anos e anos de pobreza e classe média. Ele costumava ir na feira duas vezes. Na primeira vez, seguindo impulsos de classe média, de quem adorava frutas e verduras e queria tê-las da melhor qualidade. Era um dos primeiros a chegar na feira. Nessa investida eu não ia. Depois ele voltava quase na hora do almoço, hora em que os feirantes abaixam os preços, aumentam o tamanho das baciadas, fazem a queima geral. A hora da xepa. Com essa técnica ele dava conta de manter padrões bons de alimentação pra gente e também tourear o salário pra chegar ao fim do mês.

Aquelas eram feiras em que se comprava de um tudo. Vestidos para minha mãe, panos de prato, galinhas vivas trazidas amarradas pelos pés, de cabeça para baixo. Até anéis de “brilhante” minha cunhada já comprou. Ensinou-me que, junto com alguma outra jóia “de verdade” ninguém perceberia a diferença. Sábia cunhada e boba classe média. Ninguém nunca percebeu a diferença mesmo.

Lá minha mãe pedia pra meu pai comprar combinações para mim e para ela. Eram de algodão, sem nenhuma forma. Um saco com alças. Chegando em casa minha mãe fazia pences na cintura e dava a forma.

Comprava-se bolachas a granel e balas sortidas. Só eram sortidas na hora da compra. Assim que chegávamos em casa eu separava todas as balas de mel e escondia para mim. Afinal, quem acompanhava meu pai à feira era eu. Direito adquirido, pensava.

Nestes últimos tempos voltei a fazer feira. É perto demais pra não fazer. Bonita demais, colorida demais.

Faço uma vez só. Não compro, nem tem mais, galinhas vivas. Só mortas, desossadas, sem pele, em bandejas. Não compro roupas, embora ainda compre panos de prato. Tento resistir a barraca de pastel. Nem sempre consigo.

E volto de lá com minhas sacolas e meu ego inchadíssimos. Sou chamada de amor, de carinho, de encanto, de mocinha (o que já é quase um acinte) e de menina (isso sim é acinte).

Quase almoço de tantas provas: de queijos, de frutas. Não há como resistir, além do mais seria desfeita…

Hoje é quinta. Dia da MINHA feira.

Eita dia bom!!

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