dispensando fadas madrinhas

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Andei aprendendo umas coisas novas nessa pandemia.

Não sou boa com aprendizados em geral. Tenho medo do novo, não gosto de errar, tenho tendências sobrenaturais, tipo “gostaria que as coisas acontecessem num passe de mágica”.

Isso persiste até hoje, mais de setenta anos passados.

O que eu queria mesmo era uma boa fada madrinha.

Mas nunca encontrei nenhuma.

Aprender direita e esquerda foi uma loucura. Juntar letras formando palavras levou meio ano, até o insight. Lembro que foi com a palavra CAVALO escrita num out-door na praça 14 Bis. Ou pelo tamanhão das letras ou pelo cavalo desenhado, a coisa saiu. Depois disso, todas as outras palavras saíram. Sou leitora voraz.

Aprender química sempre foi tarefa impossível. Que me perdoe o Cacá, meu professor de química e meu amigo, mas só passei de ano porque quem tem amigos tem tudo. Cola inclusive.

Aprender crochê foi mais fácil. Tricô também. Quem me ensinou tricô foi uma senhorinha que tinha sérios problemas de bursite e fazia os pontos de modo peculiar. Eu aprendi assim. Uma das agulhas debaixo do braço e a outra solta. Ultimamente venho tendo sérios problemas de bursite…

Mas na pandemia eu tinha que aprender pela internet. Era isso ou isso.

Me meti a fazer tapete. Aprendi. Tá bom, ficaram um pouco tortinhos, mas alguns saíram bem bons. Arraiolo, amarradinhos, peludos ou não.

Nestas duas ultimas semanas aprendi macramé. Tudo bem, é coisa de bicho grilo como dizíamos, mas na época em que eu deveria ter sido bicho grilo eu fazia política. O jeito é aprender agora. Pulseirinhas, painéis, suportes de planta e filtros de sonhos, seja lá o que isso signifique.

Uma delícia. Melhor que cozinhar, que também acabei aprendendo. Depois de mais de quarenta anos cozinhando todo santo dia.

Quer saber? Estou chegando à conclusão que se a tal de fada madrinha nunca apareceu, agora também não precisa mais.