brincadeiras

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Desenho com botões

Você só precisa de um tapete liso (estampado estraga o visual final) e muitos botões, de todas as cores e tamanhos, desses que a mãe da gente guardava antigamente. Bom, daí é só imaginar um desenho e ir fazendo com os botões. A técnica não é diferente da do mosaico, só que você não precisa quebrar nada, nem colar depois. Só monta e depois desmonta. Não danifica os botões nem o tapete. Não requer prática (bom, talvez só um pouquinho) nem habilidade.

 

Castelo de cartas

Cartas de baralho, de preferência de cartão. As de plástico são muito rígidas e costumam quebrar. Se vierem com aquela caixinha melhor ainda. É só utilizar a caixinha como piso e ir montando as cartas, umas sobre as outras, formando quartos e sacadas. Requer habilidade e paciência. E um lugar sem vento.

Bom, eu costumava ir mais além, depois do castelo montado: imaginava cenários e enredos românticos, geralmente entre o valete de ouros e a dama de paus, que sempre achei os mais bonitos do baralho. Mas você pode imaginar o enredo que quiser. O baralho é seu e ninguém tem nada com isso.

 

Bonecos de manga ( com variação com batata doce)

Manga espada é a melhor. As Tommy ou Palmer são muito grandes e quase não têm pelos. Além de caras. Pegue umas mangas espada de vários tamanhos, chupe-as e deixe ao sol, pra secar. Depois de secas, com um pente fino, penteie os pelos do jeito que quiser. Pode fazer crinas de cavalo, moicanos, pelos de cachorro, à vontade. Daí é só pintar uns olhos e uma boca com caneta Bic mesmo (daquelas que o presidente, eca, usa) e botar quatro palitinhos pra serem os pés do bicho. Ou dois, se for boneco. Ou três se for ferido de guerra. Ou oito se for aranha, Bom, bote o número de pés que quiser e divirta-se!

 

Pintura com água

Tem que ter um quintal Dentro de casa as mães reclamam muito. E sol, pra secar rápido depois e você poder fazer outra pintura. Eu usava água em chão de caquinhos de cerâmica, mas acho que tem décadas que não se encontra mais piso de caquinhos. Pode usar porcelanato. Daí, com o dedo, num dia de calor e sol, pinte o que quiser. E vá fazer outra coisa. Quando voltar, depois de uns dez minutos, a pintura terá secado. Daí você pode fazer outra! Nem precisa dar DEL nem ESC. Não é sensacional?

 

Móveis pra casinha de bonecas

Precisa de caixinhas de fósforo. Com pai que fume cachimbo você terá muitas. Ou mães com fogões antigos, sem acendedor automático. Ou com lugar com muita falta de luz. Enfim…Com as caixinhas você cola umas nas outras e vai montando os móveis. Mesas, sofás, estantes. Pode fazer uma casa inteira de caixas de fósforo. Para as paredes é só desmontar as caixinhas e terá uma linda parede de lambri de madeira. Pode também fazer trincheiras e fortes militares. Mas eu sempre fui contra violência e nunca fiz isso.

 

E é isso. Essas são algumas das brincadeiras que eu costumava fazer quando pequena. Se alguém lembrar de mais alguma, aceito contribuições. Vou ser avó em breve e preciso por o repertório em dia. Se é que alguma delas será páreo para os games de hoje…

 

 

 

 

 

aniversário

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Ele me levava ao dentista com seis anos. Segurava minha mão quando o Renato (esqueci a cara mas jamais me esquecerei do nome. O primeiro trauma a gente nunca esquece) avançava com aquela broca medieval da época. Depois me levava numa padaria e me dava um copo de leite frio. Até hoje leite frio me acalma.

Ele me indicou os primeiros livros para ler, assim que aprendi a ler. Muita aventura, muito Mark Twain, muito Julio Verne, o diário de Anne Frank. Logo eu lia mais que ele e aí passei a escolher pelo nome original ou pelas capas elaboradas…

Ele me dava presentes do dinheiro de seu minguado salário de estagiário.

Quis me ensinar a jogar voley. Eu tentei aprender. Ambos ficamos decepcionados.

Ele me levava ao cinema pra ver Totó e Vittório Gassman. E mais um monte de comédias italianas.

Ele teve paciência pra me ensinar o pouco que sabia de piano, as notas iniciais, os pedais. Daí eu fui em frente, só tocando com a mão direita, até hoje. Acho que não fui muito em frente, afinal.

Ele, em momentos em que a família perdeu a paciência comigo, ficava ao meu lado e me dizia do orgulho que teria se um dia tivesse uma filha como eu.

Ele, que nunca fumou, nunca bebeu, passou a vida fazendo esporte, morreu de um câncer estúpido, como são todos.

Era meu irmão do meio. O xodó de todos. Inclusive meu.

Faria hoje 82 anos. Desde os 68 porém, nunca mais aniversariou.

Um beijão, Miltola!