a curiosidade mata o gato e a avó do gato

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Eu sou curiosíssima.

Presentes de natal debaixo da árvore sempre dei um jeito de abrir. Começava balançando, chacoalhando, depois descolava ou tirava o durex e abria, de preferência de noite, com a casa dormindo. Como eu nunca fui boa pra fazer pacotes, suponho que todo mundo descobrisse. Mas não me perturbavam por isso. Acho que eu era a única criança da casa e merecia, nesse quesito, uma dose a mais de paciência.

Sou curiosa com tapumes nas ruas. Sempre dou um jeito de olhar por algum buraco pra saber do que se trata.

Sou curiosa com janelas abertas à noite. Quando caminhamos de noite e alguma janela está aberta sem cortinas, não consigo não olhar.

Também com professores novos, com casas novas, enfim, sou curiosa pra caramba.

Então, como não ficar curiosa com o sexo dos filhos? Embora não acreditasse em superstições, como evitar todas que me indicavam só pra saber o sexo da criança? Às vezes dava certo, o que não é de estranhar, com 50% de chance de ser menino ou menina. De vez em quando havia acertos. E, como os ratos de laboratório com estímulos intermitentes, eu sempre fazia todas as simpatias.

Quando nasciam, a primeira pergunta: menino ou menina? Impossível evitar.

Agora estou pra ser avó, daqui uns meses. Já sei o sexo, a previsão do peso, o nome, e um monte de outras coisas. Cadê a graça?

Espero que ele goste também de abrir presentes escondido debaixo da árvore.

Se não houver surpresa quanto ao sexo e um monte de outras coisas, que haja quanto ao jeitão.

Porque no que depender da avó, ela está morrendo de curiosidade.

Será corintiano? Será leitor? Será comedor de queijo? Será bem humorado?

Ainda bem que os exames não entram em todos os detalhes e não influenciam tanto assim.

Porque a avó vai fazer de tudo pra influenciar…