lógica ?

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Eu gosto muito de lógica. Não aquela que cita filósofos e filosofias. Essa estudei pouco.  Sou simples. E meu tempo torna-se escasso, cada vez mais. Há que ter paciência e ela também escasseia.

A lógica que eu gosto é aquela visível a olho nu.

Vejamos: você diz: sou anti-PT. Quero PT nunca mais. Voto em qualquer coisa pra tirar o PT.

O que é o PT? Um partido. Vou contrapor a um partido o que? A lógica simplesinha que eu conheço diz que eu tenho que contrapor uma coisa a outra igual ou semelhante.

O PSL é melhor que o PT? Tem menos corrupção sendo investigada? Tem menos gente do PSL envolvida? Se alguém puder responder sim a estas questões eu aceito a lógica desse voto.

Posso odiar o PT e odiar todos que dele fazem parte. Seria odiar uma grande parte – a melhor- da intelectualidade que temos, da arte em todos os níveis, das melhores cabeças, incluindo as da igreja e as das forças armadas. Posso odiar todos eles. Claro, por que não? Aliás, posso odiar internacionalmente, uma vez que uma série enorme – e bota enorme nisso- de jornais, de entidades e organizações já se manifestou contra o candidato do PSL. Mas eu posso odiar. E nem preciso explicar muito, pois que o ódio sempre teve, por definição, essa característica de irracionalidade.

Posso odiar o Haddad. Uma pessoa sem nenhum crime a ele imputado, nem ontem nem hoje. Uma pessoa sem nenhuma conta no exterior, sem nada, em sua vida pessoal ou pública que o desabone. Mas eu posso odiá-lo. E sempre vou poder dizer: eu o odeio pelo que ele representa.

A representação de alguma coisa é uma imagem. Assim como eu adoro imagens, eu posso odiar imagens. O coração tem razões que a própria razão….bla,bla…lembram?

Eu estou no segundo turno das eleições. Eleições com segundo turno significam votar entre os dois mais votados. Pode ser um dos que você escolheu no primeiro ou nenhum deles. É outra eleição, não a mesma do turno anterior.

Posso votar nulo, branco, posso nem ir votar. Não me consta que possa votar contra. Na cédula, no escurinho do cinema, o voto sempre será a favor. De um deles. E eu assinarei e serei responsável por isso.

Eu odeio o PT. Votarei contra o PT, dirá você.

Isso não se sustenta por nenhum lado que se olhe. Você vai votar a favor. Sempre.

E será responsável.

Sempre.

debalde e de baldes

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Certas coisas caem em desuso, às vezes em muito pouco tempo. Não, não estou falando de ética nem de política.

Estou falando de baldes.

Eu tenho um hoje. Quando morava em casa tinha vários. Um pra lavar o quintal, outro pra deixar roupa de molho, outro pra servir de porta-objetos em dia de faxina.

Hoje tenho um. O apartamento não comporta muitos mais nem eu tenho que lavar muita coisa. O único que me resta serve pra economizar água. Como o aquecedor faz com que o chuveiro demore a esquentar, eu, enquanto isso, aparo a água no balde e depois reutilizo. Eu aparo pouca água e o maridão friorento apara um montão. O critério nosso de água quente varia muito.

Minha mãe tinha um monte deles. Nós bebíamos água de poço, no Brooklin, na década de 50. Quando a bomba não funcionava, toca puxar com balde.

A molecada vizinha tinha alguns que utilizavam pra pegar girinos nos terrenos alagados da região.

Minha mãe botava alguns na saída da calha quando chovia forte. Ela não sabia o nome mas já era uma ativista da reutilização e do consumo sustentável.

Meu pai tinha um pequeno que a gente usava pra encher de minhoca quando ia pescar.

Minha avó usava um menor ainda pra guardar as linhas de crochê que usava e levava esse baldinho pra lá e pra cá. Bem devagarinho, que ela nunca conseguia andar rápido.

Balde serve pra tomar banho também. Na praia tirávamos água do poço em balde e jogávamos no corpo, no quintal mesmo, pra tirar a areia. No verão era o melhor lugar pra tomar banho. No inverno era quando se revelava o lado B dos mais sádicos, que se propunham jogar o balde de água gelada em quem quisesse.

Balde está saindo de moda.

Ética na política também. E solidariedade e discernimento.

Balde está saindo de moda por conta das máquinas de lavar e secar, tanto roupa como pisos. Máquinas.

Não é muito diferente na política. Máquinas influenciam e decidem.

Que saudade dos baldes!