coluna do meio…do meu corpo

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Já foi mais do meio. Atualmente caminha pra centro-direita. E, vista de lado, parece mais um bambu farfalhante, que se inclina ao sabor do vento.

Minha coluna tem sido um problema desde que me conheço. Porque é da coluna vertebral que estou falando, claro. E não de certo partido político que gosta de cultivar chuchus embora arrote escargots.

Quando eu era muito pequena e ainda tinha uma avó morando em casa, que trouxe pra minha infância alguns dos poucos momentos felizes que lembro, ela me mandava ajoelhar no chão do quarto, com metade do corpo apoiada na cama e ela, sentada em sua própria cama, ao lado da minha, punha-se a me fazer massagens com seus dedos entortados pela artrite. Lembro que as dores passavam. Fossem do corpo ou da alma.

Mais tarde, com os anos escolares e aquelas malditas carteiras chamadas universitárias, a coisa foi piorando muito. É claro que havia situações piores, como a dos canhotos da classe que tinham que se entortar pra conseguir escrever, já que as salas de aula não tinham carteiras pra quem é canhoto ou tinham muito poucas. É duro ser de esquerda em país pobre. Mas tem lá suas vantagens. Em cidadania e dignidade. Xô. Volto a falar de política e é de coluna que quero falar…

A minha piorou. Na realidade, só foi ficar boa quando eu engravidei. Nas duas vezes eu parei de sentir qualquer dor. Principalmente nos últimos meses, aqueles em que a maioria das mulheres reclama por conta do peso na frente, eu sentia aliviar as dores. Talvez fosse a felicidade também, sei lá. Dizem que a felicidade é boa pra saúde.

Atualmente caminho impávida com 4 hérnias de disco. Pra ser equânime, duas cervicais e duas lombares. De vez em quando, aliás, frequentemente de vez em quando, elas dão sinais de vida. Ou de morte, porque me dão vontade de morrer e matar. Algo assim como aquele outro candidato que só pensa nisso. Mas….xô!

Hoje a crise diminuiu. Amo de paixão anti-inflamatórios e relaxantes musculares. Amo de paixão médicos ortopedistas quando me aliviam as dores. E como sempre, passada a crise, esqueço de tudo que disse antes e penso que estou novinha em folha. Quase como voto em eleição. Dá idéia que tudo vai se resolver e nada será como antes. A gente vota, deixa pra lá, não muda nada na gente nem cobra mudança em nada de verdade e sai pro abraço.

Só que não.

Nem na minha coluna nem na vida.