coisas sem muito sentido

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Nunca acreditei muito em conflito de gerações.

Eu vivi e vivo inúmeros conflitos não necessariamente geracionais. Muitas vezes são dentro da minha mesma geração. Por vezes são entre gerações diferentes, como minha relações com crianças pequenas. Mas não é por serem de gerações diferentes. É por serem pequenas mesmo. Quando crescem um pouco, o suficiente pra dialogar, aí o conflito costuma acabar.

Em todo caso, isso de geração existe pras coisas que estão no mundo, como diria o Paulinho e só quem é da minha geração saberá com certeza de qual Paulinho falo.

Eu nunca assisti isso de Game of Thrones. Nem assisto séries, que não tenho paciência. Uso bastante computador mas não tenho celular. Faço crochê e tricô mas nunca pintei as unhas.

Sou viciada em leite e fumei dos 12 aos 50 anos.

Sou capaz de comer chinchulin e amar e não ponho ostra na boca nem sob tortura.

Essas coisas são ligadas a determinadas idade algumas, outras acho que são bem pessoais mesmo. Mas me identifico pouco com meu padrão geracional.

Adoro dançar, é verdade, mas nem só de tango eu vivo. Amo hip-hop, street dance, grafites. E sou capaz de ficar horas olhando a meninada do skate. Me sinto bem nas milongas e me sinto bem nas quebradas.

São coisas de geração? Sei lá. Em casa havia várias gerações e várias nacionalidades. Eu transitava legal por elas.

Pensando bem, gente, quando é legal, é muito bom, independente de geração.

Mas eu gosto também de cachorros, gatos, porquinhos da índia, ursos,camelos e corujas.

Tá bom, de peixe não.

Será geracional?

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Essa foto também é assim. Sem muito sentido. Mas eu vi, gostei e fotografei.

sonhos e guarda-roupas

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Sonhei ontem que estava tendo uma aula sobre guarda-roupa. Muito esquisito, até porque a professora que dava aula – que na realidade me deu aula de música- havia desenhado na lousa um guarda-roupa por dentro e estava falando de química e não de roupas. Enfim, Freud e seguidores que interpretem. Eu só sonho e olhe lá.

Mas fiquei pensando, agora já acordada – médio – nos guarda-roupas da minha vida. Tiveram uma enorme importância, sim, e não por guardarem roupas, exatamente.

O primeiro deles, no quarto de criança compartilhado com minha avó e meu irmão do meio, na realidade eram dois. Um de três portas e outro de duas. De madeira envernizada que formava uns desenhos. E puxadores forrados de madrepérola. Devia ser uma espécie de plástico que imitava a madrepérola.

Eu adormecia olhando para os desenhos das portas e imaginando histórias geralmente passadas em florestas de ciprestes, que, afinal, era o que os desenhos sugeriam. Isso enquanto meu irmão lia e não apagava a luz. Boas lembranças. Do irmão, da avó e do guarda-roupa.

Recém casada tivemos um guarda-roupa mínimo. O meu de solteira, com duas portas. Como a grana também era pequena e a nossa vaidade nunca foi lá essas coisas, ele dava e sobrava.

Muitos anos depois, muitos mesmo, filhos fora de casa, maridão fez uso de seus dotes de marceneiro e construiu um super closet no quarto que havia sido de meu filho. Amplidão!

Agora, neste pequeno apartamento, continuo tendo um closet. Que, quando mudei, olhando a casa com pressa e à noite, imaginei ser do tamanho do anterior.

Doce ilusão! Quando a mudança chegou e entrei, de dia, no tal closet, descobri que tudo não passava de imaginação criada por uma parede de espelho. O diabo do closet tinha a metade do tamanho esperado.

Mas, a bem da verdade, nossa vaidade também não aumentou lá essas coisas. Foi só nos desfazermos de metade do que tínhamos e pronto.

Daí eu sonho com guarda-roupa.

Que será que isso quer dizer? Que estou me sentindo apertada, tolhida? Que está na hora de ir às compras sem medo de ser feliz? Ou que morro de saudade da avó de um lado, me fazendo rezar em italiano e do irmão do outro, me fazendo gostar de música popular, ouvida naquele radião de válvulas?