semana que vem

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Filhão chega.

Norinha chega.

Natal chega.

Meu aniversário chega.

Estou que nem me aguento com tanta coisa boa chegando. Tá bom, meu aniversário só tem de bom o fato de que sim, estou viva, e isso é ótimo. Também tenho uma saúde bem razoável, o que é melhor ainda. Mas dispensava essa marcha inexorável do tempo. Podia ser assim, com o tempo, o próprio tempo ir ficando mais lerdo. Cada ano levando uns três pra passar…

Mas e os anos ruins? Coisa ruim já demora pra passar, na nossa sensação. Imagina se um ano ruim, daqueles que você entra com o pé esquerdo e passa os outros 365 dias  dando uma de saci, só com o esquerdo? Deve ser ruim se ele demorar a passar.

Melhor deixar como está.

Não quero nada de especial de natal. E as coisas que realmente quero ninguém vai poder me dar. Estão todas na casa das realizações imateriais, daquelas que a gente passa a vida buscando e morre tentando achar. Então não há nada de material que eu precise, realmente. Nem roupa, nem eletrodoméstico, nem livros nem CDs ( quero sim, mas gosto de eu mesma escolher), nem comidas nem bebidas ( quero sim, mas a maioria não posso comer)nem jóias que não uso nem bichos que já tenho. Nada mesmo.

Mas ai da família se esquecer de me dar alguma lembrancinha. Mesmo que eu não precise, não tem nada melhor do que não precisar e ganhar. Eu gosto.

Desde que eu faço árvore, gosto de coisas debaixo dela. Seja lá o que for.

É reconfortante.

Mas reconfortante mesmo é ver a família toda aqui, mais as cachorras, todos com saúde e levando a vida com conforto e dignidade.

Então são esses meus votos pra todo mundo: conforto e dignidade.

Porque paz na terra, que é bom, tá difícil, eu sei.

bem que eu queria

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Com uns sete anos, chega o garoto. Com aquele olhar de curiosidade típico, que a gente perde ou esconde com o passar dos anos.

Minha mãe, por exemplo, dizia que era “feio” ser perguntadeira. Foi matando aos poucos minha curiosidade explícita, porque a de dentro ninguém vai matar não.

Mas o menino veio vindo, de mãos dadas com o pai.

E nós, família quase completa, com as duas filhas de quatro patas, fomos indo também. Uns na direção dos outros, pela calçada.

Garoto fixa os olhos na Mancha, minha quase border collie, muito mais bonita porém, mais branca do que preta, com aquela mania de olhar nos olhos cada um que se aproxima. Curiosa, ela também.

Menino estende a mão e recua no ato. Mancha se adianta, cheirando a mão, o menino, o ar em volta.

Ele apavora.

Com a curiosidade e a vontade saltando pelos olhos, responde ao pai que lhe pergunta se não quer por a mão na cachorra:

Bem que eu queria…

E vai embora.

Ele e sua curiosidade, mas também seu conformismo com suas limitações.

Além da minha mãe e suas teorias sociais, o medo também acaba por travar a curiosidade, na minha opinião, o motor do mundo.

Pena.

Bem que eu queria que não fosse assim.