primeiras impressões, síndicos e saudades do Tim Maia

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predios

 

Muito interessante esta experiência de morar em apartamento com cachorras. Elas e eu fomos criadas em casas. Com quintal e jardim. Elas e eu nos acostumamos a abrir a porta e dar de cara com gramado.

Passado. Agora abro a porta e me deparo com um saguão e um elevador. E só aí, lá embaixo, depois de descer mais de uma dezena de andares, chegamos ao chão. Elas ficam olhando, surpresas como saem por uma porta e entram numa caixa e saem pela mesma porta e estão em outro lugar. Pra falar a verdade, eu também, mas disfarço.

Aí, três vezes ao dia, a gente sai pras necessidades básicas escatológicas, porque as outras necessidades, como comida, água e carinho ficam disponíveis o dia inteiro.

É todo um mundo. Descobri os canteiros, as graminhas e matos nascendo nas calcadas, os buracos e frestas dos muros. Quer dizer, elas descobriram e eu estava junto. Não posso dizer que seja um mundo de aventuras, mas não deixa de ser uma nova visão de um bairro. A gente tem que estar aberto às novas lições que a vida ensina, não é o que dizem? Quem sabe daqui há uns meses eu finalmente possa olhar pra cima e descobrir as casas e prédios…

Daqui das janelas do apartamento eu olho pra cima. Porque se olhar em frente, é só prédio. Janelas e mais janelas. Uma espécie de facebook de janelas correndo ante meus olhos. E, tal como na rede social, uma coisa assim insípida, sem nomes, ou, melhor dizendo, com todas as informações se confundindo num ruído branco. As pessoas que antevejo atrás das janelas têm nomes, é claro, mas se eu as vir na rua não reconhecerei. Já me aconteceu o mesmo com amigos da rede social. Ao vivo são tão diferentes das fotos retocadas que custa reconhecer.

Enfim, a gente se acostuma com tudo.

Meu jardim virou canteiro de arbusto e meu céu virou nesga entre edifícios.

Mas eu ainda sou a mesma.

Embora, devo admitir, tenha feito tudo mais silenciosamente e em escala reduzida de tamanho.

Vai que o síndico reclame!