desejos

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Sempre me perguntei por que parece mais fácil criticar do que elogiar.

E isso vem de longe. Desde pequena, quando criticava meus pais, mais especificamente minha mãe que transitava nas mesmas áreas de interesse minhas, desde pequena eu criticava mais do que elogiava.

Durante muito tempo achei que o elogio é a constatação da coisa bem feita e as coisas devem ser bem feitas sempre. Sei lá porquê, mas sempre achei que as coisas devam ser bem feitas.

Muito tempo depois, descobri que tenho um super ego meio exageradinho, mesmo.

As coisas com erros, as coisas que não dão certo, essas eu criticava. E, ao exercer o poder de crítica, sentia-me melhor. Se sou capaz de levantar os erros nas coisas, significa que eu SEI quais são os erros e não os faria. A mim, por ingênua não pegarão.

E assim foi por longo tempo. Até algo em mim quebrar. Ou pelo menos rachar feio e precisar de cola, de solda, de muro de arrimo, em suma, de muito cafuné e carinho para voltar ao regime de sempre.

Anos de terapia.  Que, ao fim e ao cabo, só posso definir assim: muito cafuné e carinho. E conversa sem julgamento.

Porque julgar erros alheios parece fácil. Enquanto eu julgo, eu desvio a atenção dos meus próprios.

Enquanto critico, eu me abstenho de propor soluções.

Até aí eu chego. Entendo. Porque julgo pelo processo pelo qual eu mesma passei.

O que eu não entendo, por mais que dê voltas ao meu super ego exageradinho, é o processo de linchamento. De violência. De desejar o mal para os outros. Sejam eles quem forem, sejam seus erros quais forem.

Não posso desejar o mal para alguém como eu. Seria desejar meu próprio mal.

Posso desejar que as pessoas proponham saídas. Conversem. Mostrem caminhos.

Posso desejar o que eu mesma já tive, e, se não me tornou a vida melhor, tornou-me a vida mais fácil de ser vivida.

Até pra se buscar novos caminhos e saídas é preciso paz.

Então, neste mundo estranho em que ora vivo, meio virtual, meio real, meio anônimo mascarado, meio realista fantástico, enfim, neste mundo no qual vivo hoje, desejo a todos muito cafuné e carinho.

Eu sou igual a quem está preso. Eu sou igual a quem está solto. Eu sou igual. Vou sempre errar aqui e ali, não tenho dúvidas.

Mas quero caminhos. Possibilidades.

Não linchamento.

Eu sou igual a você. E você é igual a mim. Esta a nossa tragédia enquanto seres humanos.

Ou a nossa comédia.