viajando

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Em viagem, aquilo que parecem ser só regras de convivência, questiúnculas culturais sem importância, coisinhas daqui e dali passam a ter uma importância diferente.

Eu achava que estava acostumada com trânsito complicado, morando em São Paulo. Mas Nápoles ganhou. Cheguei ao cúmulo de fechar os olhos, entregar pra Deus, eu que sou atéia, e atravessar sem olhar. Eles param, sim. Se não, eu não estaria aqui digitando. Mas antes chiam bastante. Desviam, buzinam, gesticulam, cantam pneus e cantam qualquer outra coisa. São profundamente barulhentos, estes napolitanos.

E se ofendem rapidinho. Caímos na bobagem de comentar se havia algum problema de recolhimento de lixo ainda, e o taxista quase grita – mais – com a gente. Como assim? Não está limpa? Surpreende-se ele, guiando comme un matto na cidade mais suja que conheci. Tá bom, ta bom, quem sou eu pra discutir com um napolitano…

Veneza foi de tirar o fôlego e Roma uma surpresa a cada esquina. Fora o fato de que o Vitório Emanuele me perseguia, tenho certeza, correndo pra vir se postar na minha frente logo depois de eu tê-lo deixado pra trás. Um brincalhão, esse Vitório Emanuele…

Mas Verona foi meu xodó até agora. Um brinquedinho, um mimo, uma cidade de conto de fadas. E Assis a surpresa mais clara e limpa de toda a Itália.

Vamos ver agora como será a Sicília. Ruinas gregas, prá variar um pouco a montanha de ruínas romana e etruscas.

E sempre tem o tango. Ah, se não fosse o tango, em todas as cidades do mundo!

O tango : um lar, sempre.

novos velhos tempos

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Vestidos floridos de “velhinha” sempre foram minha paixão. E jabôs de renda. E broches de camafeu. Usei muito. Até eu mesma ficar “velhinha”, aí parei de usar.

Móveis dos anos 50 e 60. Também usei muito. Toda minha infância foi recheada desses móveis. Era um tal de vitrola com pano dourado na frente e pés palito, vasos de Murano, bibelots de cristal, até aquele cinzeiro que parece de rodoviária brega, com pé metálico e um pino que a gente aperta e ele sai girando e as cinzas vão pra dentro, até essa coisa monstrenga teve em casa.

Talvez por isso eu deteste essas coisas. Porque pra mim não cheiram a “retrô” que é o eufemismo pra velho. Pra mim são passado mesmo e eu não vivo duas vezes o passado. Basta ter vivido uma.

Eu gosto mesmo é dos anos 30 e 40. Gosto de cabelo “a la garçonne”, gosto de chapéus pequenos, gosto de calças pantalonas e gosto de escrivaninhas da lei seca. Aquelas que nos filmes sempre tinham um cadáver dentro.

E gosto de carros antigos. Não os Simca da minha época de criança, nem as Willis, mas os Chevrolets de porta enfeitada com madeira de verdade, os Fiats pequeninos italianos, as Ferrari e os Porsche antigos. Os modernos não são tão classudos.

Agora não consigo gostar dessas fotos “instagram” que fazem a cabeça dos garotos do Facebook. Tenho uma gaveta cheia delas. Da época de verdade e não imitação. De quando meu avô, que nem cheguei a conhecer, pintava os retoques nas fotos a mão, deixando as bochechas rosadas e as bocas idem, fossem de homens, mulheres ou crianças.

Isso de época é melhor viver a de hoje.

Por isso eu danço tangos de Gardel, uso meias arrastão, Chanel 5, sapatos plataforma  e leio Dickens.

Modernidade,  nunca ouviram falar?