pra você, que diz que não sou polêmica

Quando  decidi, desde a mais tenra infância, qual seria meu time de futebol, fui polêmica. Criada numa família de sãopaulinos roxos e de carteirinha, ter me tornado uma corintiana nem tão roxa nem de carteirinha, mas corintiana, já foi uma polêmica e tanto. Pode crer. Só não apanhei porque em casa existia a política da [...]

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é da vida

Já fomos seis. Não ao mesmo tempo. Éramos um pai, uma mãe e quatro filhos. Dois meninos, os mais velhos e depois duas meninas. Com intervalos estranhos entre eles. Os meninos, apenas dois anos. Depois de outros sete, uma menina. Morreu com um ano. Depois de mais sete, outra menina. Essa outra menina sou eu. [...]

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amor, ódio e dígrafos

De vez em quando eu embirro, esbarro e emburro ( gosto dos RR) com as chamadas “leis” do mundo. Uma é a da oferta e da procura. Dizem que tudo que é demais enjoa e perde valor. Muita oferta barateia. Não concordo. Não concordo com essa coisa de valor, que no nosso mundo mede-se mais [...]

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prato cor de rosa

Eu comecei com um prato cor de rosa. Com o alfabeto em volta, desenhado na borda. Era dividido em quatro, de forma a não misturar a comida. Não lembro do que comia na época em que comia nesse prato, mas devia ser pouco. Não esqueço das broncas da mãe e da avó para comer mais. [...]

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diz-que-diz-que

Dizem sempre bem das ambições humanas. Dizem que os desafios é que nos botam pra frente. Dizem dos horizontes amplos e do pensar grande. Mas não dizem das frustrações, não dizem da quebra de expectativa. Não dizem da angústia de buscar o que não se acha. Dizem que pra alcançar tem que sofrer. Que o [...]

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sinais de alerta

Sabe aquela placa com :”cuidado com o cão?”  Velhíssima, tanto que até em Pompéia ela existia. O tal Cave canem. Bom, não sei se em Pompéia ou em outros lugares não dizimados pelo vulcão (ou por péssimos governantes e serviços, como é o nosso caso), mas já notei que um montão de gente usa aquela [...]

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banco de escola

Não é imagem nem linguagem figurada. Estou falando de banco de escola, mesmo.  Aquela coisa que já foi de madeira, de ferro e fórmica e hoje muitas vezes de plástico. Aquilo onde a gente sentava ignorante e levantava menos. Meu primeiro foi de dois lugares. De madeira envernizada, a mesma mesa e o mesmo banco [...]

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fralda de pano

Foram 36 fraldas de pano. De puro algodão. Três dúzias, não mais que isso. Não sei por que escolhemos esse número. Provavelmente contas da minha mãe, já que eu era neófita no assunto. Não tínhamos muita grana, então era essa a conta mínima. Aquela coisa do necessário e suficiente. E foram suficientes. Duraram quatro anos [...]

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perseguição noturna

Umas dez horas da noite. Finalmente temperatura baixa, saímos pra caminhar. Depois de duas quadras apenas ele surge. Passou por nós, vindo de trás. Andando rápido, com a determinação de quem sabe o que quer e  aonde vai. Continuou na frente. Rastreando a rua, de um lado a outro. De vez em quando, muito disfarçadamente, [...]

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filhos

Eu consigo explicar o gosto do jiló. Eu consigo explicar a sensação da chuva caindo no rosto. Eu consigo explicar a cor da rosa vermelha. É difícil, requer imaginação e a explicação nem sempre fica a contento, mas a gente consegue, com um pouco de esforço. Mas não consigo, de jeito nenhum, explicar o que [...]

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