Uma vez que a última morreu em Paris em um trágico acidente, segundo o Alziro Patafisico, vou contar a história da penúltima.
Se tem gente que acredita em pedras, em conchas, em horóscopos, em florais, em políticos, por que ela não poderia acreditar em fadas?
Foi dessa forma que Marlise Conceição cresceu acreditando nelas. Em tudo que [...]
a penúltima a acreditar em fadas
a princesa e a ervilha
E havia também a história da aspirante a princesa que, chamada a dormir no castelo do príncipe casadoiro (tem que ser casadoiro, afinal isso faz um tempão) acordou de manhã reclamando de uma tremenda dor nas costas.
A, ah! Disse alguém, acho que a futura sogra. Eis finalmente uma princesa a quem se lhe possa dar [...]
vou te contar um segredo!
De vez em quando ouço alguém dizer: vou te contar um segredo!
Que será um segredo? Alguma coisa que só a gente sabe e nunca contou pra ninguém? Alguma coisa que a gente e mais um montão sabe menos o interlocutor do momento?
Alguma coisa que você sabe que sabe e que nem é segredo, mas dito [...]
casa de bonecas
Eu sempre namorei uma casa de bonecas que via toda vez que voltava da escola primária. Bom, pra ver tinha que entrar numa loja como havia antes, misto de papelaria, loja de armarinhos, pequenos consertos, calçados e roupas. E uma casa de bonecas. Dessas que se podia tirar o telhado e ver tudo que tinha [...]
listinha infame
A reforma da casa continua a todo vapor. Melhor dizendo, a toda poeira.
Vai daí, tempo pra postar diminui. Então a gente vai de listas, recurso infame quando nada mais é possível.
Dez coisas que eu gosto de fazer quando não estou fazendo nada:
-tapetinhos de barbante;
-blusas de crochê;
-tirar mato e trevos dos vasos de plantas;
-assistir na TV [...]
o Cartola fechou
O Cartola fechou.
Nem acredito quando passo na porta, lá na Brigadeiro e não vejo aquela fila na entrada, mulheres com seus melhores vestidos e brilhos, homens arrumados, de sapatos de couro.
Foi lá o primeiro lugar em que fomos para dançar. Eu morria de medo. Aquele povo dançava muito bem.
Mais ou menos a mesma sensação que [...]
de medos e especificidades
Morro de medo de dor. Tanto medo, que chego a sentir dor.
Tenho medo de outras coisas também.
Injeção intramuscular, Alzheimer, cólica renal, artrite, filme de terror, filme americano de ação, dor de cabeça,hérnia de disco, fritura de restaurante chinês, fritura de restaurante japonês, fritura de restaurante nordestino, burocracia, cartórios, bancos, caixas eletrônicos, polícia, bandido, religiosos militantes, [...]
os lenços do meu pai
Meu pai nasceu em 1910. Começo do século passado.
Preciso contar isso pra contar o resto.
Ele sempre trabalhou de terno e gravata. Em certas épocas, acho que anos 40 ( eu não era nascida) o terno era de linho. Depois, com as “modernidades” do tergal ( cujas calças, segundo a propaganda da época, podiam agüentar o [...]
O Cruzeiro, a Cigarra e cachorros
Nem sei precisar quanto nem mesmo quais delas, mas as revistas O Cruzeiro e a Cigarra tiveram um papel importante na minha vida. Sei disso porque lembro de reportagens até hoje, de artigos do Nelson Rodrigues, de fotografias. Como parto do princípio de que o que fica na memória é o que realmente importa ( [...]
carros, rádio e muitas voltas
Minha relação com carros não é das mais estreitas. Nem mesmo acho que dá pra ter alguma relação estreita com carro. Não que não tenha com outras máquinas. Morro de saudade de uma radião da Philco 9 faixas onde a gente tentava ouvir a radio Tirana. Bom rádio, aquele. Péssima rádio, aquela.
Voltando.
Meu pai nunca teve [...]